Mera Lembrança...

Maria Eduarda Gomes

terça-feira, 28 de maio de 2013

"Uma princesa nos braços de um vagabundo"

Fui criada a vida inteira acreditando que tudo tem um porquê. Seja fruto de uma intervenção divina ou simplesmente obra do acaso, sempre me fizeram acreditar que tudo na vida tem um explicação e um motivo pra acontecer. 
Ou pra não acontecer. 
Pensando bem, nós somos um exemplo vivo disso. Sabe todos os nossos "quase encontros", que, por uma travessura do destino, não aconteceram? Olhando pra trás vejo que não eram mesmo pra acontecer. Talvez até tenha sido melhor assim. Me apeguei a você (e às suas palavras encantadoras, diga-se de passagem) como uma criança se apega a um brinquedo novo. Agora imagina se a gente tivesse se envolvido muito mais. Hoje, certamente estaria com o coração em versão líquida. Do mesmo modo que ele ficava quando você sorria pra mim, só que negativamente. 
E caramba! Juntando todos os fatos agora, fica claro apenas uma coisa: eu e você não era pra ser. 
Simples. Complexo. Confuso. Tão diferentes e tão iguais... 
Sabe o que mais me irritava em você? Esse comodismo, essa zona de conforto que você criou entre nós como se isso bastasse... Como se isso ME bastasse! E o seu egoísmo então... Nem se fala! Nas nossas brigas você enchia a boca pra dizer que meu pai me dava tudo o que eu queria e que eu era a garota mais mimada do mundo. Que contraditório, hein?! Posso ser mimada, mas pelo menos sei pensar nos outros. Sei pensar e respeitar a dor, a preocupação, o sofrimento, o sentimento... 
E quanto a você? Só se contenta com o seu prazer, com aquilo que está ao seu alcance, sem se importar se afeta o próximo ou não. Não cede, não sabe pensar nos outros... Foi mesmo uma doce ilusão imaginar que você faria isso tudo por mim.
Você não almeja mais, não ousa olhar pro lado se sua margem de segurança não estiver afetada. Sua única visão é a do seu próprio umbigo. Se ele está bem, então tá tudo bem e o mundo que se dane. 
Você se importou na hora de me dizer todas aquelas coisas bonitinhas, de me deixar de quatro por você a troco de nada? Não, você não tava nem aí pra isso! Eu era uma meta que você tinha que alcançar. Que tinha que provar pro seu ego que conseguia conquistar e colocar no chinelo, a mercê das suas vontades. Porque, afinal, você era o garanhão e eu era diferente das outras. 
E você sabia disso.  
Mas quer saber a real? Foi por isso que você me perdeu. 
Sim, me perdeu. E eu me sinto tão leve ao dizer isso!
Lembra de todas as vezes que eu falei e você não quis escutar? Talvez tenha sido nessas vezes que o meu encanto foi embora aos poucos, saindo por cada pedacinho das minhas células. E as vezes que você me ignorou sabendo que eu tinha razão? Você tem noção do quanto isso machuca? Do quanto é terrível esperar de uma pessoa e receber apenas promessas, promessas e mais promessas? E, falando nelas, qual é a sensação de prometer e nunca cumprir? De criar mundos e fundos pra me convencer de uma historinha tola onde você, o cara descolado e galinha, se importa com a mocinha apaixonada?! 
E aí você ainda vem com a maior cara de pau e me pede tempo. Tempo, meu bem?! Tempo foi a coisa que eu mais te dei nesses últimos meses! Te dei tempo, te dei espaço, te dei liberdade pra fazer o que quisesse. Assim como também te dei carinho, dedicação e fidelidade. Mas ainda era pouco, não era? Você queria ir mais longe. Você sabia que podia e que eu era um brinquedo que, por capricho, você queria controlar. Queria provar que eu era uma marionete nas suas mãos que poderia ser aposentada na hora em que uma nova distração surgisse. E por fim, você conseguiu. 
Você finalmente conseguiu. 
Te dei meu coração, meu pobre coração... 
E parabéns, amigo! Poucos conseguem chegar onde você chegou. 
Poucos também fizeram o que você fez. 
E é por isso que eu agradeço todos os dias. Ainda bem que são poucos, porque aguentar mais doses de egocentrismo e juras de amor eterno, ah, meu amor, isso não é mais comigo não. Nunca mais!