Mera Lembrança...

Maria Eduarda Gomes

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Fã de carteirinha

Desde que nascemos somos induzidos a escolhermos uma profissão. Quando brincávamos de médico, de casinha e até mesmo de escolinha, tudo, futuramente, se torna reflexo do que o mundo realmente espera de nós.
A questão é que a todo o tempo tentamos encontrar algo que satisfaça o nosso desejo de construir uma vida profissional feliz e estável. Mas é necessário ter uma vocação para que isso aconteça. Uns dão sorte e nascem para exercer exatamente uma determinada profissão, enquanto outros podem passar a vida inteira procurando por ela. Talvez ainda não tenha encontrado a minha real vocação, mas me sinto satisfeita por ter descoberto a melhor coisa que sei fazer no mundo.
Ser fã. Com toda a propriedade da palavra.
E não digo somente em relação à pessoas que estão na mídia o tempo todo, mas sim qualquer coisa que me encante simplesmente por encantar. Podem ser idolatrias quase volúveis ou simplesmente parte de um sonho inocente. Uma pessoa, uma música, uma meta, um desejo de consumo... Qualquer coisa que faça nascer em mim amores e sonhos diferentes de todos os outros que já me permiti viver. Que seja o ídolo teen da moda ou algum familiar do qual me orgulho muito, mas que seja simplesmente a deliciosa tarefa de ser fã.
E agora vocês devem estar se perguntando o porquê dessa escolha. Pois bem, eu explico: para ser fã, eu não preciso de nada além da união de dois atos simples, mas muito significativos: amar e sonhar. E pra mim, essa relação de cumplicidade nunca vai morrer. Porque desde que nascemos idolatramos alguma coisa ou alguém. Que seja amar a Galinha Pintadinha, mas, para uma criança de dois anos, isso é ser fã. E quando a gente amadurece e se torna mais sensato, nossas escolhas mudam também. Talvez por afinidade, semelhança ou comportamento, mas é sempre uma escolha que acontece naturalmente. Aí viramos fã do próximo carro que queremos ter, ou daquela pessoa que nos passa exemplos de superação, segurança e amor infinito. E o nosso estereótipo de ser fã muda completamente. E sempre vai mudar. Porque ele é único e está presente em todas as etapas da vida.
E ainda tenho a vantagem de não precisar fazer essa escolha num momento exato, porque isso tudo nasce comigo. Posso ser fã a hora que eu quiser, em tempo integral ou não. Não há incerteza, não há insegurança. Não sou pressionada por ninguém além da minha própria vontade e não tenho pressa para fazer nada, pois posso começar e parar de idolatrar algo ou alguém na hora que eu quiser. E como recompensa ainda ganho infindáveis sorrisos, diversão, amizades, amores, e, claro, muitos sonhos.
Aí me perguntam qual graça vejo nisso tudo. Podem criticar, podem dizer que vivo rodeada de sonhos e ilusões. Mas essa é a minha maneira de procurar a felicidade. E eu amo ser fã. Amo ser fã da vida, da minha família, dos meus amigos, dos meus sonhos concretos e dos fúteis também. Amo ser fã de sorrisos, de modinhas passageiras e de músicas que quase me fazem pular pela janela em um momento de crise existencial. E vocês querem saber? Eu opto por ser fã eternamente. Porque isso me faz completa. Porque sempre vou buscar um ideal para minha vida, e sem essa idolatria toda tenho certeza que não chegaria a lugar nenhum. Afinal, sonhar é o primeiro passo para a realização, e ser fã é o primeiro passo para começar sonhar, certo?