Mera Lembrança...

Maria Eduarda Gomes

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sorrindo pra vida

Estranhamente, desde que me apaixonei por você perdi a vontade de escrever. Perdi porque sempre afirmei que só escrevo quando sofro. E amigo, no momento, a última possibilidade que tenho na vida é de sofrer por alguma coisa. 
Mas, pensando bem, desde que me apaixonei não. Desde que me descobri apaixonada. Porque, olhando pra trás agora, percebo que sempre estive na sua. Sempre quis ser sua. Tentava de todos os modos chamar sua atenção, mas você não tinha olhos pra mim. E aí, por uma sorte do destino, quando você resolveu olhar, eu ainda te queria. 
Mas de um modo diferente.
Antes era por capricho, agora é por necessidade. Te quero desesperadamente. 
Todos os meus amores mal resolvidos, os problemas mal solucionados... Todos os meus traumas e medos... Tudo sumiu e se perdeu pelo espaço. Estão tão perdidos e longe da minha realidade que hoje em dia nem lembro mais, por vezes até acho que foi um devaneio. A única coisa que permaneceu, ascendeu (e acendeu!) foi o meu sorriso. O sorriso de gente apaixonada, de gente feliz de verdade. Eu me sinto mais bonita, eu sinto as pessoas me olhando com admiração, porque pareço mesmo uma pessoa feliz. Eu me olho no espelho e enxergo amor saindo por todos os poros do meu corpo. 
E qualquer tolo também percebe. 
Na fila do restaurante, no meio do shopping... É sempre a mesma felicidade. Eu penso em você e sorrio. Eu vejo você em mim e sorrio. Eu penso em nós dois e sorrio. 
Eu sorrio no meio da rua, em um ônibus lotado, em uma balada ruim, no fim de um dia cansativo... Sorrio quando percebo que estou usando suas gírias, ou quando uso aquele trejeito tão tipicamente seu. Porque agora sorrir é bom! Porque meus sorrisos são direcionados, e não meros sorrisos jogados ao relento ou dados por educação em um "bom dia". Sorrir agora não dói! 
E parece que desde os meus cinco meses, quando descobri o que era sorrir, sorrir nunca foi tão bom. Nunca fez tanto sentido... Porque sei que, no fundo, você também sorri pra mim pelos mesmos motivos que sorrio pra você.
Antes eu sorria por sorrir. Agora ele tem um motivo pra existir. 
E eu tenho um motivo melhor ainda pra permitir que ele exista. 
Você.  

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Fã de carteirinha

Desde que nascemos somos induzidos a escolhermos uma profissão. Quando brincávamos de médico, de casinha e até mesmo de escolinha, tudo, futuramente, se torna reflexo do que o mundo realmente espera de nós.
A questão é que a todo o tempo tentamos encontrar algo que satisfaça o nosso desejo de construir uma vida profissional feliz e estável. Mas é necessário ter uma vocação para que isso aconteça. Uns dão sorte e nascem para exercer exatamente uma determinada profissão, enquanto outros podem passar a vida inteira procurando por ela. Talvez ainda não tenha encontrado a minha real vocação, mas me sinto satisfeita por ter descoberto a melhor coisa que sei fazer no mundo.
Ser fã. Com toda a propriedade da palavra.
E não digo somente em relação à pessoas que estão na mídia o tempo todo, mas sim qualquer coisa que me encante simplesmente por encantar. Podem ser idolatrias quase volúveis ou simplesmente parte de um sonho inocente. Uma pessoa, uma música, uma meta, um desejo de consumo... Qualquer coisa que faça nascer em mim amores e sonhos diferentes de todos os outros que já me permiti viver. Que seja o ídolo teen da moda ou algum familiar do qual me orgulho muito, mas que seja simplesmente a deliciosa tarefa de ser fã.
E agora vocês devem estar se perguntando o porquê dessa escolha. Pois bem, eu explico: para ser fã, eu não preciso de nada além da união de dois atos simples, mas muito significativos: amar e sonhar. E pra mim, essa relação de cumplicidade nunca vai morrer. Porque desde que nascemos idolatramos alguma coisa ou alguém. Que seja amar a Galinha Pintadinha, mas, para uma criança de dois anos, isso é ser fã. E quando a gente amadurece e se torna mais sensato, nossas escolhas mudam também. Talvez por afinidade, semelhança ou comportamento, mas é sempre uma escolha que acontece naturalmente. Aí viramos fã do próximo carro que queremos ter, ou daquela pessoa que nos passa exemplos de superação, segurança e amor infinito. E o nosso estereótipo de ser fã muda completamente. E sempre vai mudar. Porque ele é único e está presente em todas as etapas da vida.
E ainda tenho a vantagem de não precisar fazer essa escolha num momento exato, porque isso tudo nasce comigo. Posso ser fã a hora que eu quiser, em tempo integral ou não. Não há incerteza, não há insegurança. Não sou pressionada por ninguém além da minha própria vontade e não tenho pressa para fazer nada, pois posso começar e parar de idolatrar algo ou alguém na hora que eu quiser. E como recompensa ainda ganho infindáveis sorrisos, diversão, amizades, amores, e, claro, muitos sonhos.
Aí me perguntam qual graça vejo nisso tudo. Podem criticar, podem dizer que vivo rodeada de sonhos e ilusões. Mas essa é a minha maneira de procurar a felicidade. E eu amo ser fã. Amo ser fã da vida, da minha família, dos meus amigos, dos meus sonhos concretos e dos fúteis também. Amo ser fã de sorrisos, de modinhas passageiras e de músicas que quase me fazem pular pela janela em um momento de crise existencial. E vocês querem saber? Eu opto por ser fã eternamente. Porque isso me faz completa. Porque sempre vou buscar um ideal para minha vida, e sem essa idolatria toda tenho certeza que não chegaria a lugar nenhum. Afinal, sonhar é o primeiro passo para a realização, e ser fã é o primeiro passo para começar sonhar, certo?

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Freedom

"Vou te contar, foi difícil. Precisei revirar minha vida pra te transferir pro quartinho de empregada. Me mudei por completo, por fora, cabelo, unha, roupa. Por dentro, jeito, pensamentos, coração. Precisei de outros caras andando pela casa e me enjoando, até um dia, um deles me fazer rir. Como você nunca tinha feito. E depois outro e você foi deixando de fazer falta. Só não quero que você me culpe. Sou outra, porque você me transformou, porque foi preciso. A mesma ia continuar sendo sua, de corpo e alma presa num nada. Você nunca foi embora, mas também nunca ficou. Pensava em mim, mas nunca se importou de verdade, nunca se esforçou pra dar certo. Sua ausência já me feriu muito, me fez pensar que eu nunca ia conseguir de fato partir e aceitar uma ausência definitiva. Mas hoje já não me importa, porque tua presença não compensa os dias de espera. Porque seu telefonema não me dá frio na barriga e sua voz não me deixa mais sem chão. Eu fechei meus olhos pro mundo pra só enxergar você e fiquei cega por muito tempo. Mas depois de olhar o mundo de novo, você já não tem mais cor, não se destaca. E tudo isso foi culpa sua. Obrigada! Tantos conselhos de amiga que eu engoli pra continuar de olhos fechados, mas é assim, não é? Era você quem tinha que me fazer desistir, mais ninguém. E tá feito, tô feliz, sou outra e sou minha. Aprendi contigo mais do que havia aprendido toda a minha vida, voltei a ser minha com a mesma intensidade que fui sua um dia. Precisei de mil textos sobre você, distribuir essa loucura em linhas e hoje, vim te encerrar com as mesmas linhas que te deram início, continuidade e, agora, fim."