Mera Lembrança...

Maria Eduarda Gomes

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Irrevogável amor


Não sei ao certo o que nos fez tão entregues e congruentes... Talvez tenha nascido da minha necessidade de acolher e da sua necessidade de ser acolhido. Ou talvez o destino quis nos presentear com esse sentimento tão simples e confuso que cada dia mais nasce entre nós. Partindo da premissa que tudo pode fazer parte do entrelace das nossas vidas, a incerteza da "metade", pra mim, nunca pode ser considerada um fator positivo. Eu não consigo ser pra você meio boa ou meio madura. E nem quero que você seja pra mim meio agradável ou meio fofo. Eu quero tudo por completo! Eu quero intensidade e reciprocidade. Eu quero me entregar sabendo que você vai me acolher. Eu quero confiar e me jogar nos seus braços com a certeza da segurança que vou encontrar neles. Eu quero sofrer de amor e chorar de saudade. Eu quero te sentir meu, e, mais do que nunca, quero que você me sinta sua... Porque é assim que sou agora: sua da cabeça aos pés, do primeiro ao último segundo do dia...

Sei que posso estar precipitando as coisas ou simplesmente jogando tudo pro alto por causa de uma nova paixão em potencial. Mas e daí?! Eu quero mais é viver esse clichê e sorrir pra vida só por ela ter me permitido existir nesse fato! Eu quero mais é sorrir pra você, sorrir por você, sorrir COM você... Eu quero mais é aproveitar esse presente tão lindo que entrou na minha vida vagarosamente e se apossou do meu coração contrariando todas as proporções e regras do início...

É mais complicado do que imagino tentar prever acontecimentos ou mensurar sentimentos diante da incerteza que o destino nos impõe, mas meu único propósito é te fazer cada vez mais presente na minha vida, independente de que circunstâncias isso ocorra. E ainda que o objetivo de agora não seja prever a complexidade de todos os problemas que nos rodeiam, atrevo-me a esquecer de tudo e fechar os olhos... E te convido a fazer o mesmo! Na nossa doce imaginação não há nada além de nós mesmos e o nosso irrevogável amor. Tá vendo como damos certo?! Mesmo o mundo ilusório e a realidade sendo tão divergentes em todos os aspectos e nos remetendo tantas dúvidas e incertezas, felizmente, eles convergem em apenas um: a minha necessidade de você. E por enquanto isso basta... Sempre e só.

domingo, 1 de maio de 2011

Eu tão simples como uma criança

Pensar. Escrever. Apagar tudo. Repeti essas três ações, no mínimo, cinco vezes em menos de quinze minutos. Seria mais fácil se eu culpasse minha criatividade, ou se simplesmente ordenasse meus pensamentos para que eles possam, por si só, tomarem um rumo e finalmente me fazerem livre. Fácil falar, mas o problema é exatamente esse: ordenar meus pensamentos. Para as pessoas, é natural dizer: "ouça a voz do seu coração e escreva o que você sente". Na teoria, é mesmo muito banal falar e dar um rumo a isso. E também pareceria-me muito simples, caso soubesse o que realmente se passa comigo.

Posso culpar a idade, a mentalidade, a faculdade... Mas a verdade é que nada disso me satisfaz. Parece que a desculpa não é completa, e, atrás dela, sempre vem uma voz sussurrando para que eu almeje mais, para que eu descubra mais, para que eu consiga entender, de uma vez por todas, o que se passa dentro de mim. 

Ao mesmo tempo em que é tão simples, é também tão complicado! Escrever sobre amor é clichê, escrever sobre a sociedade -desculpem-me o termo chulo, mas não consigo encontrar melhor adjetivo- filha da puta que vivemos então... Nem se fala! Agora o meu grande -e talvez eterno- problema sempre vai ser me entender. Talvez com um pouco de psicanálise, terapia ou psicologia eu consiga compreender parcialmente o que tanto me aflige e acabar de uma vez por todas com esses inúmeros “talvez”. Mas como disse: parcialmente. Sempre vai haver dentro de mim uma insatisfação perante o desconhecido, o confuso, o não solucionado... E pensar desse modo é angustiante! Se nem eu, que sou dona dos meus pensamentos, atos e ações consigo me entender, porque as outras pessoas que, diga-se de passagem, não têm a mínima noção do que acontece comigo, entenderiam? Porque elas me aceitariam assim? E é exatamente nesse ponto que aquela velha inimiga, que só aparece em um momento de escuridão, surge para mostrar o que melhor pode ocasionar: a insegurança. Esse maldito sentimento que me assombra e me põe em desespero, que me faz camuflar outros sentimentos tão bonitos e peculiarmente comum a todas as pessoas...
Talvez isso tudo seja porque eu tenha tanta coisa pra falar e tantos pensamentos confusos dentro da cabeça que não faço ideia do que escrever, pois acredito fielmente que isso seja apenas mais uma das minhas inúmeras crises existenciais, já que tenho revelado um lado bipolar que nem mesmo eu conhecia.

Mas hoje, vendo fotos antigas, feias, bonitas e engraçadas, percebi o quão egoísta o ser humano pode ser. Todas me remetiam bons momentos e boas recordações de um tempo em que eu era feliz -independente de qual fosse ele- e não sabia... De um tempo que talvez não tenha aproveitado tanto o quanto podia. Momentos esses que fecho os olhos e fico relembrando cada pedacinho, passando inúmeras vezes dentro da  cabeça só pra tentar me sentir uma pessoa melhor... Um alguém que não se arrepende de uma briga ou simplesmente de não ter aproveitado aquele momento como deveria. E exatamente nesse ponto o meu egoísmo fala mais alto. Se fui extremamente feliz mesmo quando estive triste em todos esses momentos, porque agora nada disso parece me satisfazer?!

Eu sei que minhas palavras agora não fazem sentido e nem têm uma ordem cronológica para serem entendidas. Mas minha alma se encontra assim: confusa e desordenada. Às vezes me acho meio revoltada com o mundo, podendo até ser considerado pretensão da minha parte, já que, aparentemente, minha vida é perfeitamente boa comparada a de outras pessoas. Mas eu sou um ser humano, e um ser humano nunca está satisfeito com o que tem, só passando a dar valor àquilo que julgava "normal" quando o perde. E aí se dá conta que aquele "normal" era tudo na vida... E eu acho que é exatamente isso que me corrói! Essa sensação de incapacidade, de nunca me conformar com essa maldita distância que há entre as pessoas... Essa sensação de arrependimento por ter sido estúpida, criança e até mesmo imatura em determinadas situações...

Sei que de tudo não fui uma má pessoa, até porque se tivesse sido, não teria mantido, preservado e construído o que tenho hoje. Ainda assim, há uma parte de mim que diz o contrário. Que faz questão de me martirizar por uma briga, pelo meu orgulho que é estupidamente repugnante e desnecessário ou por ser tão chata, insegura e repetitiva em relação a tudo como estou sendo agora. De qualquer modo, eu só queria voltar à minha sanidade e conseguir dormir tranquilamente mais uma vez. Libertar os sentimentos pessimistas e guardar dentro de mim só o que me faz bem. Talvez isso ainda demore um pouco para acontecer, ou talvez o meu coração -ou seja lá o que ainda tenho- consiga digerir isso em um questão de dias, e, finalmente, fazer de mim mais uma pessoa normal, tão simples como uma criança...