Pensar. Escrever. Apagar tudo. Repeti essas três ações, no mínimo, cinco vezes em menos de quinze minutos. Seria mais fácil se eu culpasse minha criatividade, ou se simplesmente ordenasse meus pensamentos para que eles possam, por si só, tomarem um rumo e finalmente me fazerem livre. Fácil falar, mas o problema é exatamente esse: ordenar meus pensamentos. Para as pessoas, é natural dizer: "ouça a voz do seu coração e escreva o que você sente". Na teoria, é mesmo muito banal falar e dar um rumo a isso. E também pareceria-me muito simples, caso soubesse o que realmente se passa comigo.
Posso culpar a idade, a mentalidade, a faculdade... Mas a verdade é que nada disso me satisfaz. Parece que a desculpa não é completa, e, atrás dela, sempre vem uma voz sussurrando para que eu almeje mais, para que eu descubra mais, para que eu consiga entender, de uma vez por todas, o que se passa dentro de mim.
Ao mesmo tempo em que é tão simples, é também tão complicado! Escrever sobre amor é clichê, escrever sobre a sociedade -desculpem-me o termo chulo, mas não consigo encontrar melhor adjetivo- filha da puta que vivemos então... Nem se fala! Agora o meu grande -e talvez eterno- problema sempre vai ser me entender. Talvez com um pouco de psicanálise, terapia ou psicologia eu consiga compreender parcialmente o que tanto me aflige e acabar de uma vez por todas com esses inúmeros “talvez”. Mas como disse: parcialmente. Sempre vai haver dentro de mim uma insatisfação perante o desconhecido, o confuso, o não solucionado... E pensar desse modo é angustiante! Se nem eu, que sou dona dos meus pensamentos, atos e ações consigo me entender, porque as outras pessoas que, diga-se de passagem, não têm a mínima noção do que acontece comigo, entenderiam? Porque elas me aceitariam assim? E é exatamente nesse ponto que aquela velha inimiga, que só aparece em um momento de escuridão, surge para mostrar o que melhor pode ocasionar: a insegurança. Esse maldito sentimento que me assombra e me põe em desespero, que me faz camuflar outros sentimentos tão bonitos e peculiarmente comum a todas as pessoas...
Talvez isso tudo seja porque eu tenha tanta coisa pra falar e tantos pensamentos confusos dentro da cabeça que não faço ideia do que escrever, pois acredito fielmente que isso seja apenas mais uma das minhas inúmeras crises existenciais, já que tenho revelado um lado bipolar que nem mesmo eu conhecia.
Mas hoje, vendo fotos antigas, feias, bonitas e engraçadas, percebi o quão egoísta o ser humano pode ser. Todas me remetiam bons momentos e boas recordações de um tempo em que eu era feliz -independente de qual fosse ele- e não sabia... De um tempo que talvez não tenha aproveitado tanto o quanto podia. Momentos esses que fecho os olhos e fico relembrando cada pedacinho, passando inúmeras vezes dentro da cabeça só pra tentar me sentir uma pessoa melhor... Um alguém que não se arrepende de uma briga ou simplesmente de não ter aproveitado aquele momento como deveria. E exatamente nesse ponto o meu egoísmo fala mais alto. Se fui extremamente feliz mesmo quando estive triste em todos esses momentos, porque agora nada disso parece me satisfazer?!
Eu sei que minhas palavras agora não fazem sentido e nem têm uma ordem cronológica para serem entendidas. Mas minha alma se encontra assim: confusa e desordenada. Às vezes me acho meio revoltada com o mundo, podendo até ser considerado pretensão da minha parte, já que, aparentemente, minha vida é perfeitamente boa comparada a de outras pessoas. Mas eu sou um ser humano, e um ser humano nunca está satisfeito com o que tem, só passando a dar valor àquilo que julgava "normal" quando o perde. E aí se dá conta que aquele "normal" era tudo na vida... E eu acho que é exatamente isso que me corrói! Essa sensação de incapacidade, de nunca me conformar com essa maldita distância que há entre as pessoas... Essa sensação de arrependimento por ter sido estúpida, criança e até mesmo imatura em determinadas situações...
Sei que de tudo não fui uma má pessoa, até porque se tivesse sido, não teria mantido, preservado e construído o que tenho hoje. Ainda assim, há uma parte de mim que diz o contrário. Que faz questão de me martirizar por uma briga, pelo meu orgulho que é estupidamente repugnante e desnecessário ou por ser tão chata, insegura e repetitiva em relação a tudo como estou sendo agora. De qualquer modo, eu só queria voltar à minha sanidade e conseguir dormir tranquilamente mais uma vez. Libertar os sentimentos pessimistas e guardar dentro de mim só o que me faz bem. Talvez isso ainda demore um pouco para acontecer, ou talvez o meu coração -ou seja lá o que ainda tenho- consiga digerir isso em um questão de dias, e, finalmente, fazer de mim mais uma pessoa normal, tão simples como uma criança...