Hoje, primeiro de fevereiro de dois mil e onze, acordei de um modo diferente. Influenciada pela minha instabilidade emocional aflorada e pelo temporal que vi se formar e ser substituído por um lindo sol, refleti sobre muitas coisas. A primeira delas é, como sempre, o futuro batendo em minha porta, me implorando uma atitude, um rumo, uma escolha... E eu me encontro no mesmo breu que minha casa após uma queda de luz proveniente de uma tempestade torrencial: escura, vazia, silenciosa... Sozinha. Perdida do primeiro até o último pensamento que tanto invade e martiriza minha sanidade. Parece contraditório, mas o único modo que encontro para pôr meus pensamentos e atitudes no lugar é quando a luz não se faz presente. Quando nada, nem mesmo o mundo contemporâneo em que vivo consegue me consumir e fazer de mim mais uma no meio de milhões de pessoas. E quando esse tão famoso breu consegue me invadir e fazer de mim uma pessoa consciente e única, é que consigo avaliar possibilidadaes, e, quem sabe, traçar metas.
Mais cedo, enquanto a chuva, os trovões e raios caiam em minha janela, fiquei observando meu cachorro -um labrador gorduxo de quase 60 quilos- se divertir com a água e com os barulhos estrondosos dos trovões, que, até então, eram novos e muito divertidos para embalar brincadeiras de pular de poça em poça. Enquanto minha irmã -a pessoa mais centrada e calma que conheço- se desesperava pelo simples fato de talvez não estarmos tão perto de um para-raio eficiente, deixando-nos vulneráveis a qualquer futuro raio que pudesse se formar no céu. Nesse momento, quis entender a disparidade de sentimentos que ocorre no mundo. Onde já se viu um alguém que vê vidas indo e vindo na mesma proporção ter medo de um fenômeno tão conhecido?! E como pode um serzinho tão inocente se divertir com tão pouco, mesmo em meio a uma tempestade tão forte quando a sua vontade de viver?! E então, desejei secretamente voltar a inocência da infância. A viver em um mundo sem preocupações, sem problemas, sem uma vida inteira para construir... Quando a maior preocupação era a próxima brincadeira, quando o único medo era do escuro e a única incerteza era sobre a existência do coelhinho da páscoa... Quando o colo dos meus pais era a melhor e mais aceitável solução para resolver todos os problemas e curar todas as feridas. E pensar desse modo dói! Cada vez mais somos embalados por um mundo moderno que nos suga a favor do consumismo, da luxúria, da tortura, da falta de valores, da falta de sentimentos, da falta de compaixão pelo próximo... Da extinção do amor! Confesso que às vezes também me rendo aos encantos dessa nova era. Quando uma vez usava velas, papel e caneta para escrever uma crise existencial que só acontece quando a energia vai embora, hoje, só preciso do meu celular e do bloco de notas presente nele. Mas se não me adequar aos padrões impostos pela sociedade, sou completamente excluída e ignorada, já que o mundo só pertence àqueles que pertencem ao mundo. E de fato, essa é a última coisa que quero que aconteça. Entendo a necessidade de progresso da humanidade, mas nunca vou conseguir entender o favoritismo da sociedade por coisas tão supérfulas quando se tem uma vida linda e única para viver.
Agora, quase onze da noite, continuo sem energia elétrica. Também continuo com minhas dúvidas sobre o futuro e os questionamentos quase esquerdistas sobre o comportamento do homem perante a evolução do mundo. Continuo sem respostas sobre minhas infindáveis perguntas, e sei que talvez nunca consiga entender o quão complexo são meus pensamentos. Porém, analisando tudo o que escrevi, chego a conclusão de que posso ser quem eu quiser, na hora em que eu quiser. Basta ter força, basta ter garra, basta lutar pelos meus sonhos assim como eles lutam por mim. Basta acreditar na vida, no amor, no destino, na fé e na inocência. Porque sei que ainda posso ter medo de escuro se quiser, sei que por mais que saiba da verdade sobre o tão querido coelhido da páscoa, ainda posso ter uma páscoa cheia de magia. E porque sei, principalmente, que o colo dos meus pais sempre vai estar lá... Não para resolver todos os meus problemas ou fechar todas as feridas, mas para servir de apoio e acalento, me fazendo, finalmente, encontrar soluções para o que tanto aflinge e machuca.
Hoje, sei que quando a luz voltar tudo vai voltar ao normal. Minhas dúvidas ainda vão ser as mesmas, e, provavelmente, minha vida também. Sei que tudo o que escrevo talvez vá embora junto com essa escuridão que tanto me assombra... Ou talvez isso tudo me faça agir. Talvez isso seja um início diferente, talvez seja uma motivação para acabar com tudo o que realmente me incomoda... A incerteza, pra mim, é sempre o maior e mais difícil obstáculo a ser superado. Mas aí é uma outra história, em uma outra tempestade, em uma outra queda de luz...
Mais cedo, enquanto a chuva, os trovões e raios caiam em minha janela, fiquei observando meu cachorro -um labrador gorduxo de quase 60 quilos- se divertir com a água e com os barulhos estrondosos dos trovões, que, até então, eram novos e muito divertidos para embalar brincadeiras de pular de poça em poça. Enquanto minha irmã -a pessoa mais centrada e calma que conheço- se desesperava pelo simples fato de talvez não estarmos tão perto de um para-raio eficiente, deixando-nos vulneráveis a qualquer futuro raio que pudesse se formar no céu. Nesse momento, quis entender a disparidade de sentimentos que ocorre no mundo. Onde já se viu um alguém que vê vidas indo e vindo na mesma proporção ter medo de um fenômeno tão conhecido?! E como pode um serzinho tão inocente se divertir com tão pouco, mesmo em meio a uma tempestade tão forte quando a sua vontade de viver?! E então, desejei secretamente voltar a inocência da infância. A viver em um mundo sem preocupações, sem problemas, sem uma vida inteira para construir... Quando a maior preocupação era a próxima brincadeira, quando o único medo era do escuro e a única incerteza era sobre a existência do coelhinho da páscoa... Quando o colo dos meus pais era a melhor e mais aceitável solução para resolver todos os problemas e curar todas as feridas. E pensar desse modo dói! Cada vez mais somos embalados por um mundo moderno que nos suga a favor do consumismo, da luxúria, da tortura, da falta de valores, da falta de sentimentos, da falta de compaixão pelo próximo... Da extinção do amor! Confesso que às vezes também me rendo aos encantos dessa nova era. Quando uma vez usava velas, papel e caneta para escrever uma crise existencial que só acontece quando a energia vai embora, hoje, só preciso do meu celular e do bloco de notas presente nele. Mas se não me adequar aos padrões impostos pela sociedade, sou completamente excluída e ignorada, já que o mundo só pertence àqueles que pertencem ao mundo. E de fato, essa é a última coisa que quero que aconteça. Entendo a necessidade de progresso da humanidade, mas nunca vou conseguir entender o favoritismo da sociedade por coisas tão supérfulas quando se tem uma vida linda e única para viver.
Agora, quase onze da noite, continuo sem energia elétrica. Também continuo com minhas dúvidas sobre o futuro e os questionamentos quase esquerdistas sobre o comportamento do homem perante a evolução do mundo. Continuo sem respostas sobre minhas infindáveis perguntas, e sei que talvez nunca consiga entender o quão complexo são meus pensamentos. Porém, analisando tudo o que escrevi, chego a conclusão de que posso ser quem eu quiser, na hora em que eu quiser. Basta ter força, basta ter garra, basta lutar pelos meus sonhos assim como eles lutam por mim. Basta acreditar na vida, no amor, no destino, na fé e na inocência. Porque sei que ainda posso ter medo de escuro se quiser, sei que por mais que saiba da verdade sobre o tão querido coelhido da páscoa, ainda posso ter uma páscoa cheia de magia. E porque sei, principalmente, que o colo dos meus pais sempre vai estar lá... Não para resolver todos os meus problemas ou fechar todas as feridas, mas para servir de apoio e acalento, me fazendo, finalmente, encontrar soluções para o que tanto aflinge e machuca.
Hoje, sei que quando a luz voltar tudo vai voltar ao normal. Minhas dúvidas ainda vão ser as mesmas, e, provavelmente, minha vida também. Sei que tudo o que escrevo talvez vá embora junto com essa escuridão que tanto me assombra... Ou talvez isso tudo me faça agir. Talvez isso seja um início diferente, talvez seja uma motivação para acabar com tudo o que realmente me incomoda... A incerteza, pra mim, é sempre o maior e mais difícil obstáculo a ser superado. Mas aí é uma outra história, em uma outra tempestade, em uma outra queda de luz...
